Para além da compra e venda de participações nas empresas

Nas várias vendas que fiz de empresas e participações o focus esteve sempre no negócio (claro), nas auditorias, mas essencialmente nos contratos… cerca de 70% do tempo decorrido esteve sempre de facto na protecção das partes com parassociais e clausulas de protecção dos interesses de cada uma das partes. Sendo que por mais clausulas que existam, se a relação não correr bem, não há clausula ou negócio que resista.

Desde então que tenho pensado no tema e tenho analisado a forma como os processos decorrem, nomeadamente o conhecimento entre as partes que passa apenas 3 ou pouco mais reuniões, uns almoços e o resto é entre os advogados, auditores e contabilistas. No final assina-se contratos, vamos almoçar para comemorar e brinda-se ao futuro.

Foi sempre obvio para mim que este tipo de processo tinha 50% de chances para correr mal e que se esqueciam sempre do mais importante: O conhecimento mutuo das partes e a forma como estas iriam dar-se no dia-a-dia.

Acima de tudo ter uma sociedade é uma relação, tal como a de casados, a de grande amigos, entre outras. A diferença é que os casamentos têm um período de namoro e mesmo assim o namoro chega a durar mais tempo que o de casados, bem como os amigos são grandes amigos até irem de férias juntos. Logo a de sócios, onde há tensões, problemas de caixa, entre outros, está exposta a que uma relação possa de facto correr mal e quando acontece não há negócio que resista, nem em pequenos negócios, nem em grandes Por Ex. o que se passou no BCP, na Apple há uns anos ou o que se está a passar no BES com os primos.

Se para contratarmos um colaborador que “podemos” despedir a qualquer momento fazemos rigorosos processos de selecção, então porque para fazermos uma sociedade não fazemos o mesmo de forma bilateral?
É de facto um tema muito oportuno e que nunca vi acontecer, mas que me faz todo o sentido.

Afinal desmanchar uma sociedade, pode ser bem mais difícil e oneroso que um divorcio, pode custar mesmo a dissolução da sociedade. Então porque não há mais rigor nos típicos processos de aquisição ou de formação de sociedades?

A meu ver deveria haver processos de selecção e de compatibilidade entre sócios, pois poderia ser uma excelente forma de acautelar futuros grandes problemas ou até servirem de conselhos de como ultrapassar os problemas do dia-a-dia de uma sociedade.

Aqui fica uma dica de oportunidade de negócio para os profissionais de RH.

Ricardo Teixeira

 

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About ricardojmtx

Com formação em gestão, comecei a minha carreira profissional na Microsoft Portugal em 1998. Em 1999, fundei uma das primeiras empresas de marketing digital em Portugal, a Webdote – Soluções Interativas, que geri até 2009. Entre 2006 e 2010, fui também CEO da Strat.Web S.A., empresa de marketing digital do Grupo Strat S.G.P.S. Em 2002 fui Co-Fundador da Compuworks, e até hoje uma empresa líder na área das TI. Em 2007 abri a minha empresa de investimentos a Jumpmaster Investimentos. Em 2010, volto a estar na origem de um projeto pioneiro, a Digital Works, uma produtora digital independente, direcionada exclusivamente para as agências de comunicação, direccionada para o mercado Europeu. Em 2012 Abro a primeira empresa fora de Portugal, nomeadamente no Reino Unido. Atualmente faço a gestão de 5 Empresas e 2 Fundos de Investimento Para contrabalançar a minha ligação ao mundo digital, nos tempos livres, entre outras atividades, dedico-me à criação de tartarugas terrestres e aos drones multirotores em modo FPV.

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